Eu estava caindo. Eu podia perceber o quão alto era. Eu caía devagar para que talvez repensasse tudo que fiz. Ou talvez só para que sentisse mais medo mesmo. Meus cabelos sobre meu rosto, o vento forte. Definitivamente eu estava longe do chão ainda, porém mais perto do que eu gostaria. O engraçado, é que de tão vagarosa esta queda, eu estava começando a me adaptar com a sensação. Não que fosse boa, claro. Só não sentia mais tanto medo.
Sabia exatamente o que me esperava: o chão. Sentia frio, mas já estava arrepiada só com a idéia de cair. Fechei os olhos. Lembrei de tantas coisas. Me arrependi, me culpei, me puni. Sorri sozinha enquanto lembrava o que valeu a pena. Nada de tocar o chão. Meu coração acelerando novamente. Sabia que não teria ninguém e nenhuma fortaleza me esperando. E mesmo se tivesse, seria inútil. Abri os olhos. Angustiante. Eu já via o que me aguardava. Mordi os lábios. O estômago se contorceu. Lembrei de quando você me avisou que isso aconteceria. Mais uns dois segundos e por mais surpreendente que possa parecer, finalmente cheguei ao meu destino final. Caí.
Toquei ao chão com meu corpo cansado de tanta adrenalina. E, mesmo sendo a última coisa que eu aprendi, nestes últimos segundos, tive a certeza de que é melhor concretizar algo por pior que seja, do que prolongar a incessante sensação de medo e sofrimento.
No final, foi apenas o susto da queda. Depois dormi, como um anjo.
Escrito por: Gabrielle Pires Silva


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