Sei que não deveria estar escrevendo sobre isso, sei que havia te prometido esquecer desse sentimento. Mas você sabe, não é? Sentimento não se esquece, só se guarda lá no fundo do peito, em um sótão junto com todas aquelas velhas brincadeiras de criança. Mas, me desculpe, é só um sótão. É só uma fantasia. Quando a gente vê aqueles brinquedos que estão escondidos atrás do armário, dá saudade, dá vontade de voltar no tempo. É assim que acontece toda a vez que te vejo. Algo no teu cheiro mexe com todo o meu interior, mexe com as lembranças, com as memórias. Algo nesse teu jeito de me olhar me faz ter a ilusão de que ainda não acabou, de que ainda temos muito o que viver. É só a tua boca se mover, e a tua voz vir em minha direção que eu me lembro que, na verdade, eu nunca te esqueci. Só fingi que havia esquecido para poder continuar ao teu lado. Você me pediu para ser forte, lembra? Me pediu para não gostar tanto assim de você, só para eu permanecer um pouco mais na tua vida.
Com toda a pouca dignidade que ainda me resta, eu te juro que tentei. Desesperadamente, eu procurei a tua sonoridade em outros risos, a tua calma em outros ombros, a tua segurança em outros abraços. Procurei pela tua posse em outros beijos, e de nada adiantou. Por isso, agora quem está te pedindo para ser forte sou eu, só para você poder ouvir a verdade, e entender o motivo de eu estar tão longe de você. Então, por mim, você aguentaria? Mesmo sabendo que este é, possivelmente, o nosso fim.
Te prometi que já não me passavas mais pela cabeça, que as músicas não traziam a tona o teu nome, que as palavras mais nada tinham a ver contigo. Ri de ti quando me perguntaste se ainda havia um espaço do meu peito que pedia por você. É claro que não. É óbvio que sim. O coração falava, e o cérebro reformulava a frase, como algo que talvez você quisesse ouvir. E por muito tempo fui feliz assim, enganando a mim mesma, dizendo que tudo estava perfeitamente bem. Mas não está, porque esse pedaço do meu peito não existe mais. A verdade? Ele está ai, dentro de ti. Eu me entreguei a você de uma maneira que, talvez, nunca seja capaz de me recuperar por inteira. Você esteve - e está - tão dentro de mim, que não há maneira de ir embora, sem levar um pedaço meu, contigo.
E, mesmo sabendo disso, eu te peço que vá. Que não me ligue mais, que não me conte sobre seus novos amores. Vá de corpo, por favor. Te ver ao meu lado e perceber que a tua alma está a quilômetros de distância, é o pior vazio que eu poderia sentir. Vá embora para, finalmente, poder ficar perto de mim. Por: Andressa Carvalho


2 comentários:
De verdade, estou muito emocionada com esse texto. Parece que eu que escrevi, de tão real, tão vívidas imagens que corraram na minha cabeça. Mas acho que isso não vai ser cmg, afinal, todo mundo já passou por um amor 'inesquecível' com a difícil missão de esquecê-lo. E sim, eu sei, melhor do que ninguém que é preciso muuuita coragem para expor esse tipo de sentimentos em blogs. Eu mesma já escrevi milhoes de textos desse tipo e não os tornei público. Talvez isso tenha sido o que mais me tocou. A sua verdade, a sua audácia e ao mesmo tempo doçura de lidar com sentimentos. Não pare de escrever, não escreva só quando estiver triste. Continue sempre, pois você evoluiu muuuito nesse texto. Quero ver mais como este. Parabéns :)
Muito obrigada Gabriele ! Pode deixar que vou continuar sim ..
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