sexta-feira, 18 de novembro de 2011

acordei

Acordei com aquela intensa vontade de dormir de novo. Com vontade de que o que sonhei se tornasse realidade, e me frustrando por isso, sei que não vai acontecer. Acordei sem querer. Por pura obrigação. Na verdade, uma hora eu teria que abrir os olhos. Encarar a realidade, o que está acontecendo. É isso que eu fiz, abri os olhos. E o que vi…. me deu uma incrível vontade de fechar os olhos para sempre. Me deparei com o que tanto temia em ver: Cacos de vidro, rachaduras, devastação, bagunça, coisas desarrumadas, amassadas e fora do lugar. Malditos cacos de vidro, os meus cacos de vidro, vidros que sempre tinham seu encaixe perfeito, agora estão nesse chão coberto de poeira, esperando alguém passar por lá e acabar sangrando os pés, tendo ardência e agonia por tempo indeterminado; ou apenas um tempo para se afastarem e ir cuidar de seus ferimentos - e é isso o que elas fazem, se afastam. Ah, não aguento mais transbordar essa falta. Passarei o resto dos meus dias assim? Deitado nessa cama e com medo de se descobrir? Tenho medo, tenho medo sim. Se as outras pessoas se machucam ao me desvendarem, por que eu não irei? Quero fechar meus olhos, quero ficar no escuro, quero voltar pros meus sonhos… Quero voltar a dormir! Quero voltar a ter meu coração e meu calor, sem sobras, sem cacos, e sem rancor.
Por: Andressa Carvalho

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