quinta-feira, 14 de julho de 2011

Horizonte.

Ele apareceu com aquela cara de bom moço com alma de diabo que sempre fez com que todas as garotinhas desesperadas por amor e histórias românticas corressem atrás dele que nem leopardos. Mas, mesmo que ele seja um vagabundo convicto, ele nunca foi capaz de dar esperanças para qualquer uma delas, apenas por medo de magoá-las. Medo que ele não teve comigo. Fazia um mês que a gente não se via e, pra quem costumava passar o tempo todo juntos, isso é realmente muita coisa. Eu me odeio por admitir isso, mas a verdade é que eu ainda sinto uma puta falta dele. E daqueles olhos. O efeito que ele tem sobre mim deveria ser algo proibido por lei. Quer dizer, vê se é justo alguém conseguir te fazer perder a cabeça e ela continuar ali, parada. E voando, tudo ao mesmo tempo. Olha isso como exemplo, eu estava falando da festa e acabei comentando sobre os olhos. E já tava pronta para falar sobre o sorriso. Mas não, eu sou uma mulher forte e bem resolvida. Eu não preciso do calor dos braços dele para me esquentar. O problema é que a gente não se via a um mês, e ele tinha dito que não ia nessa festa. E eu não estava preparada para vê-lo novamente. Porque ele é tão bonito de formas tão variadas e infinitas e irritantes que chega até a ser cansativo olhá-lo. É tão cansativo que não cansa. E, mais uma vez, eu paro para admirá-lo. É tão difícil, mesmo depois de tanto tempo, ver ele e não sentir que há uma parte de mim desmoronando total e completamente. E há, também, uma parte minha sendo esmagada e trucidada e se movendo alopradamente… Mesmo que continue pulsando, contra a minha vontade. Porque ele não pode ser só mais um? Só mais uma paixonite que se chora uma noite e logo depois esquece. Ou um daqueles intermináveis e solitários amores de verão, que o inverno apaga com a chuva. Mas, não, nosso amor surgiu no inverno. Era frio e nublado, mas mesmo assim eu vi você. E eu tenho medo que, depois disso, o eufemismo de mim mesma, não me permita abrir os olhos e enxergar o horizonte outra vez.

Por: Andressa Carvalho

4 comentários:

Eu sou... disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Eu sou... disse...

Que texto maravilhoso! Me apaixonei! Um texto que nos prende e nos leva até o ponto final... Admiro isso! Destaque pessoal para essa parte: " O efeito que ele tem sobre mim deveria ser algo proibido por lei." Como eu entendo, rs. Parabéns!

Andressa Carvalho disse...

Muito Obgrigada Linda!

Gabrielle Pires Silva disse...

Muuito, muuito lindo
como sempre maduro, sincero e intenso *_*

adorei, adorei mesmo como a intensidade dramática nos teletransporta aos sentimentos do texto.

sempre brilhante

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